Twiter relava que poder de Lyla Fylho para obstruir investigação 'não se esvaziou' com a sua saída da Semus


"Nem tudo o que vem à rede, é peixe" é uma expressão utilizada na língua portuguesa para se referir que, por vezes, nem tudo o que acontece tem proveito.

O ditado popular pode ser usado perfeitamente para definir a 2ª fase da operação Cobiça Fatal, batizada de "Oficina Desmascarada", que apura esquema de superfaturamento na compra de equipamentos de proteção individual (EPIs) para utilização nas ações de combate à covid-19 na Semus (Secretaria Municipal de Saúde) de São Luís.

As irregularidades, segundo a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal, ocorreram durante a gestão do ex- secretário Lula Fylho, um dos alvos das investigações que investiga as irregularidades.

A operação Oficina Desmascarada desencadeada hoje apura, com base em informações da 1ª fase da operação Cobiça Fatal, o superfaturamento mais de 140% na compra de mais 240 mil máscaras e aventais cirúrgicos descartáveis pela Semus, que foi no valor unitário de R$ 7,50. O prejuízo estimado é de mais de R$ 1,4 milhão.

A compra, por ter sido em caráter de urgência, foi feita com dispensa de licitação. As duas empresas, não identificadas, não apresentavam capacidade técnico-operacional, sendo uma delas uma oficina mecânica em São Luís (MA) e a outra 1 pequeno ponto comercial de venda de materiais de expediente e limpeza, sediada no município de Matinha (MA), a 240 Km da capital.

Investigações da PF indicaram conluio entre possíveis sócios ocultos dessas empresas e servidores da Semus. O grupo criminoso se utilizou do mesmo modus operandi descoberto na Operação Cobiça Fatal, deflagrada em junho de 2020.

Ao todo, foram cumpridos 2 mandados de prisão temporária e 17 mandados de busca e apreensão em São Luís (MA) e Paço do Lumiar (MA). Também foi determinado o afastamento de servidores, a proibição de contratação das empresas investigadas por entes públicos e o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos, além do bloqueio de bens de mais de R$ 1 milhão dos principais investigados.

Ocorre, entretanto, que os servidores da Semus foram presos, mas o ex-secretário que teria autorizado os contratos segue solto, podendo, inclusive, obstruir a investigação já que ele estaria mantendo forte influencia dentro da secretaria. Isso fica claro, por exemplo, quando se analisa o perfil de Lula Fylho no Twitter.

'LULA PLANEJAVA E ORGANIZAVA'

Algumas dessas postagens não deixam dúvidas do grau de influência do ex-secretário com os servidores da pasta. Um dos comentários que mais chamou atenção foi o da enfermeira Mariana Brandão. No dia 12 de agosto, quase quinze dias apos a saída de Lula Fylho da Semus, ela chegou a declinar que era o secretário que organizava e planejava tudo

"Merece todo o reconhecimento! Não tem como não lembrar de como foi tudo organizado e planejado pelo senhor!", revelou a funcionária.

Ela segue tecendo elogios, afirmando que o ex-secretário faz muita falta. Lula agradece as postagens e prova mais uma vez o indicio de influência sobre os servidores da pasta.

Na sua mais recente postagem, no último dia 24 de outubro – seis dias antes da operação Oficina Desmascarada, o ex-secretário prova mais uma fez que mesmo à distância, vem mantendo controle sobre alguns funcionários da saúde. No comentário, ele chegou a dar uma pista de como vem conseguindo fazer isso.

"Uma das maiores características de um líder, é a capacidade de dividir... Hoje foi dia de aprendizado. Ter visão é maior que ter poder", declarou ele que aparece na imagem ilustrativa abraçados a quatro mulheres, provavelmente servidoras. 

A situação envolvendo o caso, lembra uma frase da da ex-deputada federal Luizianne Lins que diz: "Algo vai muito mal num país que mantém os peixes graúdos soltos e prende apenas peixes pequenos para dar justificativa à opinião pública".