CANCELAMENTO DO CENSO É MAIS UMA IRRESPONSABILIDADE DE UM GOVERNO PERDIDO E CRIMINOSO


O ex-presidente do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) Paulo Rabello de Castro afirmou neste sábado, 24, que o cancelamento do Censo Demográfico em 2021 é uma catástrofe que pode ser comparada à pandemia da Covid-19. 

“Ao mesmo tempo que esse terrível vírus ceifa vidas e ceifa também uma parte do PIB, a ausência de estatísticas liquida as políticas públicas e ainda liquida, a mais longo prazo, a própria democracia”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã. 

“Muita gente não percebe, mas é a contagem da população por município, por Estado, que qualifica a quantidade de representantes nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Ela estabiliza as participações de acordo com o tamanho das respectivas populações. E não é só isso. O Censo Demográfico também revela a qualidade das habitações, as taxas de emprego ou desemprego da população, as características dos domicílios e das famílias, pautando todas as políticas públicas”, complementa. 

Para Rabello, foi uma “ignorância” do Congresso permitir que o Ministério da Economia corte o gasto do Censo do Orçamento de 2021. 

“É o único gasto que, junto com a vacina, é absolutamente essencial nesse ano de 2021”, afirmou.

O ex-presidente do IBGE ainda apontou que a realização da pesquisa empregaria mais de 200 mil pessoas, em geral jovens que teriam no IBGE a sua primeira oportunidade de emprego. O economista lembra que estão sendo gastos R$ 22 bilhões apenas com o auxílio. 

“Os R$ 2 bilhões de gastos do Censo se somariam como parte do auxílio emergencial, porque os licenciadores vão utilizar esses recursos para o seu sustento”, explica. 

Em sua perspectiva, a decisão de não realizar o Censo 2021 é inconstitucional. 

“Vai haver uma enxurrada de constatações judiciais e, provavelmente, o governo vai a título de indenização a Estados e municípios os mais de R$ 2 bilhões que seriam gastos inicialmente. É o Brasil jogando dinheiro fora”, aponta.

Segundo Rabello, não se aplica o argumento de que o governo não tinha recursos no Orçamento, já que o Congresso autorizou gastos extra-teto. 

“O teto do Orçamento foi aberto para que se gastasse mais de R$ 100 bilhões em cima do déficit anterior de mais de 200 bilhões. Portanto, em mais de R$ 300 bilhões de déficit, qual o impacto de mais 2 ou menos 2 bilhões? É menos de 1% em cima do déficit já pré-existente”, justifica. 

Além disso, o ex-presidente lembra que, em 2016, quando a PEC do Teto de Gastos foi aprovada, o Censo não foi colocado na legislação como um gasto fundamental. 

“Não é um gasto repetitivo, ele não se repete nos próximos anos. É um gasto perfeitamente acomodável no Orçamento”, afirma. 

Mesmo com o impacto na série que é realizada a cada 10 anos, Rabello acredita que o adiamento do Censo para 2022 é superável e que alterações são possíveis de serem realizadas.

Nos corredores de Brasília falamos com técnicos do IBGE, que por motivos óbvios não querem se identificar:

"Uma aberração! O governo errou e o congresso avalizou um erro que fere a CONSTITUIÇÃO! Paulo Guedes vem cometendo erros sucessivos que além de destruírem a nossa economia, vem desgastando a imagem do Presidente junto a sociedade, e esse foi mais um erro grave. Estamos vivendo uma grave crise sanitária, e por causa de suas dimensões a mídia não tem noticiado a seríssima crise econômica que estamos vivendo com DESEMPREGO RECORDE! Isso tudo tem gerado um enorme desgaste ao governo que vem crescendo exponencialmente a sua rejeição em todo Brasil. O Censo 2021, além de uma obrigação constitucional, seria uma forma de amenizar esse desemprego, pois gera mais de 200mil vagas de trabalho. Mas a perda em outras áreas será ainda mais grave, não acredito que uma pessoa que tenha um mínimo de conhecimento de gestão pública tenha permitido este cancelamento de forma inocente, o que me parece é que o Ministro Paulo Guedes não quer que de forma oficial o mundo saiba que a sua política econômica vai de mal a pior..." disse A. J. P. 

Sobre o comentário de Janaína Paschoal outro funcionário se manifestou e também falou sobre o corte as instituições científicas e da pesquisa sobre a vacina 100% brasileira:

"A sugestão de Janaína Paschoal apenas revela que ela DESCONHECE O BRASIL, que vive numa bolha privilegiada e não sabe que 4% da população sequer tem energia elétrica, que dirá internet. Pesquisas de instituições sérias afirmam que 20% da população brasileira sequer tem acesso a internet, esses dados são de antes da pandemia, eu não duvido que esses números tenham crescido diante da crise." W. N. S

J. A. K cientista e assessor jurídico completa:

"Os cortes para instituições e pesquisas científicas, só posso lamentar, infelizmente o atual governo desde que assumiu vem atacando estas instituições, talvez se fosse aliado da ciência invés de inimigo, não cometeriam erros administrativos tão grosseiros. Quanto ao corte de verbas no meio da pesquisa por uma vacina 100% brasileira, é criminosa, tanto do ponto de vista MORAL, quanto do ponto de vista legal, uma vez investido milhões, não se pode agora simplesmente fazer este corte, eu vejo ato de improbidade administrativa e prevaricação!"